Resumos da Unidade II - Discente: Gutemberg Garcez



UNIDADE II

Resumo 1




Teorias exemplares da história, são aquelas que, dentro do campo da história, se pressupõem a definir e delimitar as tarefas e ferramentas fundamentais ao historiador aplicáveis a qualquer circunstância temporal. Um exemplo inicial é o catálogo de funções históricas proposto pelo grego Diodoro, durante o século I .a.C, neste catálogo Diodoro apresenta que a história rememoram os feitos do passado, providenciando os modelos a serem imitados pelos homens do presente, transmitindo a sabedoria dos mais velhos aos mais novos além de qualificar o homem a vida política e louvar e estimular o patriotismo das classes militares. O que impressiona é que após a construção dessas funções, só veremos um questionamento sério a elas durante o século XVII, sob o contexto da chamada Querela dos Antigos e Modernos, que acontecia na academia francesa, e ainda assim se manteria como forma predominante da justificação da história ainda até o século XVIII. Ainda assim, mesmo sem contrapontos, houveram construções em cima do que Diodoro propôs, como as produções de Isócrates e Cícero no mundo clássico, assim como as inserções de David Kochafe e Isidoro de Sevilha, esses últimos que apresentam além do caráter civil e militar, também a importância de valores teológicos. As primeiras críticas ao modelo de Diodoro surgem no século XV através dos filólogos clássicos e seus métodos em relação a análise das fontes clássicas, que causa dentro da historiografia uma nova visão crítica, desestabilizando a credibilidade anteriormente dada a autores clássicos, como feito por Lorenzo Valla acerca da narrativa de Lívio sob a história romana. Já durante a alta idade moderna, vemos um esforço maior para a incorporação de tal análise crítica, materializado principalmente pelos práticos da chamada “artes hitoricae” um gênero de textos predecessor da moderna teoria da história.
Esses textos apresentam para o leitor diversas categorias historiográficas, mas a que destaca-se é um enfoque maior na interpretação e recepção dos textos e das fontes históricas.

No século XVIII temos enfim um novo conceito de história, agora se firmando de fato como um processo macro, distanciando-se do conceito anterior que via a história apenas como um compilado de histórias desconectadas de um processo contínuo. E no século XIX tivemos uma evolução ainda maior na quebra com esses conceitos clássicos, especialmente graças a era das revoluções políticas e sociais, com a influência direta de filósofos como Marx e Engels. Podemos ver essas influências principalmente na obra de Ranke, que apresenta a historiografia como conhecimento objetivo, produzido sobretudo através do procedimento da crítica das fontes.


Resumo 2


A história das mentalidades, surge em busca de interesses até o momento negligenciados pela historiografia comum, não é à toa portanto o caráter polêmico e controverso que carrega desde seu surgimento. No entanto, não podemos resumi-la aos seus interesses exóticos, afinal, após a vanguarda lançada pela história das mentalidades, muitos outros campos da história retomaram esses temas e lançaram suas diversas visões sobre eles. A verdadeira polêmica que a história das mentalidades vem a projetar no meio historiográfico é muito mais metodológico e teórico, considerando a existência de uma mentalidade coletiva, o historiador das mentalidades aplicaria três ordens metodológicas em suas pesquisa, a abordagem serial, a eleição de um recorte como projeção das atitudes coletivas e por fim uma abordagem extensiva das fontes.

Ainda dentro da história das mentalidades, se apresenta também uma forte influência da psico-história, apresentada por Wilhelm Reich e Erich Fromm, que apresentam conceitos muito importantes para a história, como o conceito de caráter social apresentado por Reich, ou o conceito de filtro social apresentado por Fromm, este último por exemplo, veio a se assemelhar muito com o conceito de mentalidade da época desenvolvido durante as Novelle Historie nos anos 60. Apesar dos constantes riscos de anacronismo, visto que a mesma trabalha diretamente com as concepções e constatações de psicólogos modernos ou contemporâneos, a psico-história se demonstra um campo promissor, e tem para si autores de extrema relevância histórica como Alain Besançon e Peter Gay.


Resumo 3



O texto agora vai buscar apresentar uma visão geral acerca das abordagens históricas, ou seja, das subdivisões dentro da história que se diferem dentro do campo de observação. Primeiramente temos a história oral, que acaba sendo um pouco diferente, pois é mais relativa ao método de análise da fonte do que o campo observacional, podendo ser correlacionada com outras abordagens, a história oral trabalha com fontes produzidas diretamente pelo próprio historiador, através de entrevistas e depoimentos colhidos pelo mesmo. Em oposição a história oral temos a história escrita que apesar de ser a mais usada não é homogênea, os positivistas tratam a fonte como um testemunho, já hoje graças a influência dos annales podemos observar as fontes enquanto discursos e isso muda completamente a interpretação da mesma. A análise de um discurso deve sempre cumprir três princípios importantes, o intra-texto, o intertexto e o contexto, ou seja, respectivamente deve analisar o conteúdo interno do texto, sua relação com outros textos dentro da mesma realidade e por fim uma análise contextual, observando de que local parte o autor, em que momento o texto foi escrito, etc. Temos também a história imediata, essa muito mais específica, onde o historiador se insere enquanto produtor do testemunho e ator social, um exemplo é a produção Uma história da revolução russa, escrita por León Trotsky durante a própria revolução.

Adentrando agora outras concepções, temos a história serial, que busca uma serialização das informações apresentadas em fontes com uma certa homogeneidade. Muitas vezes é confundida com a História quantitativa, apesar de ambas poderem ser utilizadas em conjunto a última tem seu próprio significado e definição, a história quantitativa trabalha com a observação da realidade através da estatística e da síntese de dados matemáticos. Outros campos que muitas vezes se confundem, especialmente por iniciantes, são os campos da Micro-História e da História Regional, a história regional se propõe a estudar algum tema dentro de um espaço físico delimitado diretamente pelo historiador, independente dos recortes geográficos ou políticos. Já a micro-história não se limita por um espaço físico, e sim por realidades e aspectos em uma menor escala, em busca de uma análise que seria impossível em visões macro, quando um historiador da micro-história analisa uma comunidade ou uma pequena região a ele não é foco a região ou a comunidade, mas sim as realidades ali expostas, e essas realidades podem e servem como produto de análises muito mais macro, que embarcam toda a sociedade.

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