Resumos da Unidade II - Discente: Thayanne Santino

A teoria exemplar da História

Em primeira instância, o texto inicia seus escritos expondo que o historiador grego Diodoro Sículo introduziu em sua biblioteca histórica uma das primeiras histórias universais, uma forma de catálogo no qual estavam descritos possíveis usos da história que lhe ocorreram. Essas mesmas histórias rememoram os feitos dos grandes fatos do passado, multiplicando assim, a experiência do passado vivenciadas pelos mais velhos e sendo transmitida para os mais novos no presente. Histórias que por vezes estimulam o patriotismo das classes militares e que se desdobram de acordo com os movimentos da sociedade. Temos ainda que as teorias exemplares são aquelas fundamentais para os historiadores extraírem do passado uma ferramenta aplicável para o presente, por exemplo. É desse modo então, que surgem os inúmeros exemplos históricos que conhecemos. Os historiadores no decorrer dos séculos não se interessaram de forma engajada pelo progresso do conhecimento. Na verdade, seus principais objetivos se resumiam em influenciar diretamente as decisões e a conduta prática aos seus leitores e aqueles que acompanhavam. Sendo assim, o papel do historiador trazia à tona casos de comportamento moral e imoral, reforçando, desse modo, a moralidade e concepções políticas do público destinatário das histórias que eram escritas. Na historiografia ocidental, o hábito de pensar e falar dos historiadores como fornecedores de modelos de ação ao presente foi bastante comum entre as antigas elites intelectuais medievais e modernas. Vemos que a diversidade dos argumentos apresentados impõe fortes dificuldades a qualquer abordagem generalizadora.

Assim, a historiografia exemplar vivia uma espécie de antagonismo em relação à filosofia. Ambas se propunham influenciar e incrementar a vida cívica, porém divergiam quando relacionadas a aspectos didáticos e as formas de dimensão. A teoria exemplar está anexada a uma tradição retórica. Um exemplo disso é a figura de Isócrates, um contemporâneo de Platão, visto como um dos influenciadores retóricos gregos no qual a finalidade suprema da educação era formar cidadãos aptos a falar e agir apropriadamente na arena política. De acordo com essa mesma figura, o saber prático está ligado à experiência e ao saber teórico privilegiado pela tradição platônica. Nesse viés, temos que o historiador é, portanto, um homem de ação, e a história deve ser escrita tendo em vista a instrução dos governantes e das demais figuras políticas que estão circunscritas no então contexto. Políbio também deixa claro que as histórias rememoram as catástrofes dos outros, ou seja, das figuras do passado, transmitindo exemplos políticos que servem como exemplo para os leitores. Na antiguidade, assim como no período pré-moderno, a historiografia era uma atividade subordinada a campo de saberes, nomeado, retórica. Portanto, a ênfase antes moral do que política marcaria assim o pensamento histórico medieval, no qual se caracteriza pela justaposição da justificação da historiografia no conceito providencialista. A história continuou a ser definida por muitos autores medievais como um repositório de exemplos de ações práticas que ocorriam, porém sua função mais importante se relacionava a transmitir exemplos do poder divino, sendo visivelmente uma forma de extração da cosmogonia cristã da época.

Como vemos, a ideia de que a história é capaz de instruir o presente, assim como desenvolvido pela “fórmula de Cícero”, testemunha arranjos de uma visão cristã da história. Ao longo da idade média, portanto, o discurso sobre as funções da historiografia distingue-se de outras formas de pensamento e segmentos teóricos. Contudo, nesse mesmo período, o discurso sobre a história manteve-se subordinado a autoridade religiosa, deixando a historiografia “sufocada” entre a retórica e a teologia, longe então de ser um gênero literário autônomo. Essa situação apenas começou a mudar no século XV, quando em algumas cidades italianas se passou a cultivar uma tradição historiográfica relativamente secular, mudando portanto as concepções que antes eram tidas como únicas e incontestáveis, converteu-se assim, para um “plano” mais humanista. Uma das novidades históricas mais importantes desse período foram as histórias de cidades que se escreveram especialmente sobre Florença, narrativas essas que incorporaram expressamente a intenção de propagar ao mundo imagens da grandeza das cidades e nações que estavam a ser descritas. Essas histórias, assim, desempenhavam uma função exemplar que era concebida em termos antes morais acima do político. Acreditava-se, nesse contexto, que as histórias deveriam servir como uma forma de instrução aos indivíduos quando referente ao seu comportamento político e ao funcionamento das instituições ao seu redor. Viam no estudo uma maneira de enriquecer a arte de governar, formando então a teoria do Estado.

Como vimos, tanto na idade moderna quanto na antiguidade os historiadores tinham como hábito externar suas opiniões acerca do valor dos seus trabalhos e do significado geral da história. Os historiadores dessa época estavam convencidos da validade da justificação clássica da historiografia, tendo somente elaborado variações dos antigos. Foi somente no século XVII, na chamada “Querela dos antigos e dos modernos”, que a autoridade dos historiadores clássicos foi questionada, abrindo-se um campo para a crítica das ideias desses mesmos historiadores acerca da função exemplar da história. Entretanto, a teoria exemplar da história manteve-se enquanto a forma predominante de justificação da historiografia estava fixada. De acordo com Lord Bolingbroke, a história deveria servir ao propósito prático do aperfeiçoamento das virtudes públicas e privadas, todo conhecimento por ela adquirido nada mais será senão um tipo crível de ignorância. As primeiras manifestações de crítica relativa à teoria exemplar da história como fonte de justificação da historiografia, estiveram associadas à emergência do chamado método histórico-filosófico, fenômeno cuja a história remonta ao século XV. O método desenvolvido pelos filósofos clássicos, seria rapidamente adaptado por outros campos do conhecimento. Ainda no século XV, com a emergência da arqueologia, a atitude metódico-crítica em relação aos testemunhos escritos do passado clássico seria estendida também aos seus vestígios materiais. O desenvolvimento de novos métodos para a pesquisa de fontes favoreceu amplamente o progresso da erudição histórica ao longo dos séculos XVI e XVII. Boa parte de tal progresso deu-se a esforços de investigação despendidos no campo da história eclesiástica. No campo da historiografia, um dos mais notáveis impactos exercidos pelo método crítico foi uma certa desestabilização da autoridade dos historiadores clássicos. Os historiadores da época do humanismo caracterizavam-se por um método de trabalho bastante distinto do de hoje. Para os humanistas, portanto, a crítica das fontes coloca-se como um problema somente à medida que se há de estabelecer qual dos relatos clássicos são mais certeiros

Os campos da História. Especialidades e abordagens.

Existem subdivisões possíveis da história que refere ao campo de observação que os historiadores trabalham e existem outras subdivisões que se referem ao tipo de fonte ou ao modo de tratamento das fontes. Essas fontes referem-se mais ao modo de fazer a pesquisa do que as dimensões sociais que são enfocadas pelo historiador. Nessa conjuntura, os critérios envolvidos por essas subdivisões são divisões que estão mais relacionadas à metodologia do que a teoria, exemplo disso é a história oral, no qual refere-se a um tipo de fonte com o qual o historiador trabalha os testemunhos orais. Material de investigação e reflexão a partir da coleta de depoimentos subdivisão no modo de fazer, nas abordagens, isto é, na metodologia. O tratamento das fontes não interfere ou impede que se associe a um determinado campo de observação, está mais associado a métodos e técnicas do que a aspectos teóricos. Seguindo essa mesma linha de pensamento, a história oral remete a um dos caminhos metodológicos oferecidos pela história a um teórico ou a um caminho temático. Historiografia baseada em registros nos quais foram deixados voluntariamente ou involuntariamente pelo passado. Cada um dos registros, seja escrito ou oral, gera seus problemas, em ambos há imprecisão. A intertextualidade é a linguagem, modos de expressão, a dinâmica entre o texto e o autor.

A historiografia do século XX ampliou o seu conceito de fonte histórica para um mundo não textual de possibilidades, também ampliou extraordinariamente os tipos de documentação escrita com as quais iria lidar. Não se refere apenas às fontes institucionais e diplomáticas, mas a qualquer texto considerado fonte, não há mais limite. Os textos que antes eram quase exclusivamente considerados testemunhos, onde se extraia informações, hoje as fontes textuais são utilizadas também como discursos a serem decifrados. A fonte histórica é aquilo que coloca o historiador diretamente em contato com seu problema, o material que é examinado. Há três funções: meio de acesso aos fatos, fonte de informação sobre o passado, ou é o próprio fato. Podemos utilizar da percepção da fonte como discurso por questionar o que está por trás da produção da fonte, interesses e afins. Assim, o texto pode ser abordado qualitativamente em muitas maneiras, avançando para além do exposto em sua superfície, exemplo das abordagens semióticas

Podemos realizar uma análise qualitativa observando o texto como um objeto de comunicação, sendo através de suas nuances uma forma de esboçar cultura. A tentativa de avaliar o texto de sua primeira dimensão, ou seja, de objeto de significação, será a análise estrutural do texto. Já a avaliação do contexto histórico, atribui sentido. Portanto, observamos que as intenções e motivações pessoais do autor foram uma forma de impor sentido. Assim, com essa visão multidimensional do texto, pode-se dizer que a análise de um discurso deve contemplar simultaneamente três dimensões fundamentais: 1. O intertexto; 2. intratexto e 3. Contexto. O intratexto corresponde aos aspectos internos do texto e implica exclusivamente na avaliação do texto como objeto de significação. O intertexto refere-se ao relacionamento de um texto com outros. E o contexto corresponde a relação do texto com a realidade que o envolve. Além de um lugar de produção, todo texto tem também um destino, ou seja, recepções do texto que também deverão ser considerados. Sendo assim, todo texto possui três vértices: um lugar de produção, um conteúdo e um lugar de recepção. O historiador deve lidar habitualmente com cada um desses vértices e com sua interação. A análise política do discurso tal como é proposta por Foucault sugere que o historiador deva buscar a percepção das relações de poder nos lugares menos previsíveis, menos formalizados, menos anunciados. Este método genealógico que busca o poder em todos os pontos da sociedade e não mais nos lugares congelados pelo aparato estatal, vai ao encontro de abordagens que exigirão do historiador uma espécie de meticulosidade.

Assim, analisar um discurso em toda sua complexidade envolve muitas coisas, desde as técnicas que visam enxergar os modos pelos quais a sociedade se apodera dos discursos. Trabalhar com o texto, conforme pode ser percebido, é muito mais do que parece. O historiador deve seguir adiante na sofistificação de seus métodos de decifração do texto, para que haja conclusões e interpretações. A história imediata é um campo historiográfico muito específico, às vezes próximo do jornalismo. Ocorre quando um historiador se propõe a produzir um trabalho historiográfico que se relaciona a um objeto no qual, de alguma maneira, ele mesmo se insere. O historiador nesse caso é não apenas um analista do discurso dos outros, mas um produtor de testemunhos dele mesmo. A história serial introduziu nas proximidades dos século XX uma perspectiva inteiramente nova: tratava-se de constituir séries de fontes e abordá-las de acordo com técnicas igualmente inéditas. Novamente teremos aqui um campo a ser definido em relação à abordagem ou ao modo de fazer a história que a perpassa. Ela refere-se ao tipo de fontes e a um modo de tratamento delas, trata-se nesse caso de um nível de homogeneidade. A diferença entre história serial e quantitativa deve ser pelo fato de que a primeira refere-se a um determinado tipo de fonte, determinada forma de tratamento, já a quantificação pressupõe a serialização.

Vejamos agora a diferença entre a micro história e a história regional. A micro história não se relaciona necessariamente ao estudo do espaço físico reduzido, mas a através de uma comunidade pequena, um meio para atingir a compreensão de aspectos específicos relativos a uma sociedade mais ampla. Temos ainda que a história problema rejeitou a história narrativa meramente factual. Hoje a história problema deve rejeitar a história quantitativa meramente descritiva que muitos ainda fazem. O historiador deve lançar mãos dos levantamentos quantitativos, em prol da qualidade dos estudos e desenvolvimento da pesquisa. Um fato de grande importância que devemos levar em consideração quando nos referimos ao estudo da micro história, é que existe ainda a possibilidade de micro-realidades a serem examinadas, não somente no contexto de vidas individuais e suas realidades. Pode-se então, tomar como campo de observação para a percepção de todo um campo imaginário, uma determinada prática que era realizada por determinados grupos sociais em uma comunidade historicamente realizada. Portanto, o próprio recorte existe em função de um problema principal, central, é exatamente esse recorte que define a problemática. É o mesmo que ocorre com a “vida” ou a trajetória de um ator social: não se trata de escolher um indivíduo a ser biografado como um fim em si mesmo. A vida está sendo examinada em função de um problema. Nessa conjuntura, por existirem contextos mais ou menos universais nos quais aparecem na perspectiva da macro-historiográfica, os micro historiadores têm experimentado outras formas de construir o texto. Alguns, desprezam esse gesto de contextualização inicial e vão direto ao caso ou problema que será analisado, uma vez que existem contextos múltiplos a serem considerados. 

Dito de outras formas, o micro historiador traz a nu tanto as contradições e imprecisões de suas fontes, como as limitações de sua prática interpretativa, não se preocupando em ocultar as técnicas de persuasão que está utilizando e até mesmo declarando os pontos em que se está valendo de raciocínios conjecturais. Rigorosamente, a micro história ou história das mentalidades não devem ser vistas como modelos teóricos, como ocorre no materialismo histórico ou positivismo, por exemplo. Embora tenha surgido como uma corrente, não deve ser entendida enquanto tal, mas sim através de seu campo, uma vez que essa não se encaixa como um modelo teórico. O tratamento intensivo das fontes da micro história, é um ponto que devemos ter como alicerce, uma vez que nela temos o chamado “paradigma indiciário. Assim, o autor revela que a riqueza de suas fontes está precisamente na riqueza contraditória das várias versões de um crime, oriunda de depoimentos de um e de outros. O olhar micro-histórico faz parte de um conjunto de práticas que se referem ao campo das abordagens, e que se relaciona tanto ao campo de observação que o historiador escolhe como as fontes que examina e ao tipo de análise que pretende a partir dessas fontes, chegando por fim, a um modo de expor este trabalho complexo que se caracteriza por trazer as ambiguidades para a própria superfície do texto historiográfico, ao invés de ocultar os seus limites interpostos ao historiador. 

Resumo da Mesa Redonda

A teoria da história se insere numa dinâmica de geopolítica e referencial intelectual. Há a problematização do lugar epistémico deixa encoberto as preocupação de suas categorias, portanto a preocupação mais importante é em relação a tarefa em relação a dependência acadêmica, no qual no caso da teoria da história, nos referimos de uma discussão sobre algo que ainda não foi superado, sendo um dos caminhos a mobilização de diversas vertentes para a construção de contrapontos sociais.

A presença das imagens é um ponto primordial quando falamos de teoria, assim como forma de construir nossa realidade e o meio social. Tem-se que falta na historiografia falta essa interação das imagens, há um equívoco em não perceber que a escrita produz imagem, assim como a memória é feita de imagens, sendo assim, não há como escrever sem figurar. Isso se deve pelo esquecimento da dimensão artística da história que aconteceu principalmente no século XX. A maior parte dos historiadores do século XIV reconheciam que a historiografia tem uma dimensão artística e estética principalmente nas suas dimensões. A escrita da história se comunica de acordo com a qualidade do texto. Com a crítica, interpretação e análise documental, o momento da escrita é o momento primordial da história. Ela deveria mobilizar, falar não apenas a razão mas a sensibilidade, às sensações, a historiografia não poderia deixar os recursos literários, ou seja, tudo aquilo construído pela construção da linguagem. Um texto de história deve ter vínculo com arquivos, imagens e ao mesmo tempo imaginação.

O desafio central é assumir que a escrita da história tem um carácter construtivo, de montagem, de elaboração, ou seja, passa por um trabalho nas formas de linguagens. As discussões epistemológicas permeiam as formações de identidades. Produzir a crença,a convicção, passa pela forma como se faz os argumentos, narração e construção daquilo que será pesquisado, desenvolvido. Muitas vezes os historiadores não têm consciência que a construção está dentro do texto, se fazendo necessário uma relação através da linguagem em sua posição de sujeito.

Questão extra: Qual a importância da psico-história no estudo das mentalidades?

Os historiadores das mentalidades foram os primeiros a se interessarem por temáticas relacionadas às sensibilidades. Sendo assim, a partir disso, houve o desenvolvimento e conhecimento mais aprofundado de uma gama de temáticas e tipologias de fontes. Nessa conjuntura, é possível chegar a conclusões mais sólidas, uma vez que ocorre o recorte e enfoque com a história das mentalidades e do conhecimento da psico-história, que investiga os aspectos sociais, por exemplo. Além disso, como sabemos, por meio do recorte observamos mais a fundo com a psico história as identidades que se perpassam em cada momento, desde suas singularidades até as características principais. Vale salientar que para chegar a conclusões sobre os estudos específicos, deve ser algo rápido, haja vista que as mentalidades mudam no decorrer do tempo.


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