Resumos da Unidade II - Discente: Gabriel Mateus
Por que se escrevia história? Sobre a justificativa da historiografia no mundo ocidental pré-moderno
⦁ A TEORIA EXEMPLAR DA HISTÓRIA
De acordo com Diodoro Sículo, as histórias remoram os feitos de grandes vultos do passado, providenciando assim os modelos a serem imitados pelos seres humanos do presente.
Teorias exemplares da história são aquelas que afirmam ser a tarefa fundamental dos historiadores extrair do passado um tipo partícula de ferramenta didática imediatamente aplicável a qualquer circunstância temporal: exemplos históricos.
Até pelo menos metade do século XVIII, ninguém questiono seriamente o catálogo de funções proposto por Diodoro.
As raízes da teoria exemplar da história não estão fincadas na tradição filosófica, mas, antes na tradição da retorica. Para Isócrates (436-336) que foi um influenciador retorico grego, para quem a finalidade suprema da educação era formar cidadãos aptos a falar e agir apropriadamente na área da política. Nos séculos subsequentes os filósofos estoicos adotariam uma atitude bastante similar a essa, privilegiando a reflexão ligada a experiencia prática em detrimento da especulação filosófica. coisa os antigos historiadores romanos tendiam a atribuir a suas histórias.
Durante idade média, o estudo acerca da história manteve-se assaz subordinada a religião, e a historiografia, espremida estre a retorica e a teologia, esteve longe de ser um gênero literário autônomo, situação que começou a mudar somente no século XV com os humanistas, tendo como uma novidade as histórias das cidades, sendo seu proposito empregado agora muito menos retorico e muito mais específico.
Somente no final do século XVII, que os historiadores clássicos foram frontal e sistematicamente questionados, pelos iluministas, e com isso abriu-se um campo para a crítica das ideias desses historiadores acerca da função exemplar da história. porém, a teoria exemplar da história se manter-se-ia predominante enquanto forma de justificativa da historiografia até meados do século XVIII.
⦁ EXEMPLARIDADE X MÉTODO
As primeiras manifestações críticas a teoria exemplar da história como fonte prima da justificativa da historiografia estiveram associadas a emergência do chamado método histórico--filológico, tendo a filologia se convertido no paradigma de pesquisa e análise de fontes primarias durante a era do humanismo, assim os humanistas dos séculos XV e XVI, cultivaram o ideal mediante pesquisa filológica e histórica. Como o método desenvolvido pelos filológicos, outras disciplinas também desenvolveram métodos de abordagem para o tratamento de seus textos, coisa que favoreceu o progresso da erudição histórica ao longo dos séculos XVI e XVII.
No campo da historiografia, um dos mais notáveis impactos exercidos pelo método crítico foi uma certa desestabilização da autoridade dos historiadores clássicos. As críticas estiveram longe de abolir de uma vez por todas a influência da retórica sobre a historiografia, mas certamente contribuíram para tornar os historiadores mais cautelosos no uso das fontes historiográficas.
A incorporação do método crítico a prática da historiografia foi materializada pelos autores das chamadas artes historicae - gênero de textos teóricos que pode ser visto como precisar da moderna teoria da história.
Para os tratadistas das artes hitoricae a principal tarefa dos historiadores era a priorização do efeito pragmático das histórias em detrimento do desconhecido factual do passado. Ainda no século XVII, a historiografia política distanciou-se da tradição da Ars histórica. Assim a retórica perdeu influência sobre a historiografia.
⦁ UM NOVO CONCEITO DE HISTÓRIA
O método filológico-crítico tornou disponível novas ferramentas para análise das informações acerca do passado, com desenvolvimento dentro do mesmo horizonte temporal que acomodava também a teoria exemplar da história.
O conceito moderno de história: para Reinhart korselleck, o termo história ainda não possuía a conotação que lhe é atribuído hoje, a de um processo geral, abstrato e dinâmico que conectava o passado ao futuro, coisa que só se alterou ao logo do século XVII, tornando-se realmente abstrata e temporizada.
O CAMPO DA HISTÓRIA - Especialidades e abordagens
⦁ 1. CLIO DESPEDAÇADA
Uma característica crescente da historiografia moderna e que ela tem passado a ver a se mesma como um campo fragmentado, compartimentado e partilhado em uma Grande gama de subespecialidades e atravessada por muitas e muitas tendencias. Fala se hoje vários tipos de “história”, diferente do século XIX, onde tinha-se uma ideia bem homogênea do ofício do historiador. Podemos ver a historiografia como um vasto universo percorrido por inúmeras redes, onde cada profissional encontra sua conexão exata e particular.
A História da Cultura Material não é o único campo historiográfico que examina as relações mais diretas da vida humana com a materialidade que o cerca. A Geo-História estuda a vida humana no seu relacionamento com o ambiente natural e com os espaços concebido geograficamente.
⦁ 4. MENTALIDADES
A História das Mentalidades enforca a dimensão da sociedade relacionada ao mundo mental e ao modo de sentir. Os historiadores das mentalidades foram os primeiros a se interessar por temas não convencionais. Devido a exploração ousada de certos temas até então incomum, e foi visto com forte estranheza, que despertou muitas polemicas.
Qualquer tema pode ser trabalhado a partir dos enforques que são classificados como relacionados a ‘dimensão’ social. Assim um tema como a História da morte pode ser trabalhado pela História demográfica ou política e não apenas pela História das mentalidades.
⦁ A polemica que envolve a História das mentalidades é a teoria metodológica.
⦁ Ao abraçar a perspectiva teórica que existem de fato mentalidades coletivas, o historiador amplia sua concepção documental.
⦁ Para alcançar níveis médios do pensamento, o historiador das mentalidades, não pode se satisfazer som literatura tradicional do testemunho histórico.
Três ordens do tratamento metodológico.
⦁ (1) Abordagem serial.
⦁ (2) A eleição de um recorte privilegiado que funcione como lugar de projeção de atitudes coletivas.
⦁ (3) Uma abordagem extensiva das fontes de natureza diversas.
Historiador deve evitar o anacronismo.
O CAMPO DA HISTÓRIA - Especialidades e abordagens
⦁ AS ABORDAGENS
Existem subdivisões possíveis da História que se refletem ao ‘campo da observação’ com que os historiadores trabalham e outras que se referem ao ‘modo de tratamento de fontes’.
História oral, refere-se a um tipo de Fontes com a qual o historiador trabalha, a saber, os testemunhos orais, suas preocupações neste âmbito estão relacionadas ao tipo de entrevista que será utilizada na coleta de depoimentos, aos cuidados na decodificação e análise desses depoimentos, ao uso ou não de questionários direcionados e assim por diante. remetendo a um dos caminhos metodológicos oferecidos pela História, e não há um enfoque, ou há um caminho teórico ou há um caminho temático.
Hoje qualquer texto pode ser constituído pelo historiador como fonte, as Fontes textuais são também utilizadas como discursos a ser decifrados em si mesmo. A fonte histórica é aquilo que coloca o historiador diretamente em contato com o seu problema. Ela é o material através do qual o historiador examina e analisa uma sociedade ou um tempo, podendo preencher uma de duas funções: ou ela é o meio de acesso aqueles fatos históricos que o historiador deverá reconstruir interpretar ou ela é fonte de informações sobre o passado, ou seja o ela mesma é o próprio fato.
História do discurso, onde um discurso qualquer pode ser analisado tanto a partir de uma ‘abordagem qualitativa’ com uma partir de uma ‘abordagem quantitativa’ ou de uma ‘abordagem serial’.
Um texto pode ser abordado qualitativamente de muitas maneiras, apresenta de certas imagens de um discurso a recorrência de determinadas palavras, a maneira de organizar uma narrativa, as referências de intertextuais.
O texto pode ser examinado do ponto de vista das intenções ou das motivações pessoal do autor que o produziu, ou daqueles que que deles se apropriam impulsionando lhes novos sentidos.
Análise do discurso deve complementar três dimensões fundamentais: o intertexto, corresponde aos aspectos internos do texto implícita exclusivamente na avaliação do texto como objeto de significação; o Intertexto, refere-se ao relacionamento de um texto com outros textos; e o contexto corresponde à relação do texto com a realidade que o produziu e que o envolve, sendo esta abordagem a mais rica para um historiador que pretende utilizar o discurso textual como fonte.
Para Michel Foucault, em sua análise política do discurso, sugere que o historiador deva buscar a percepções das relações de poder nos lugares menos previsíveis, menos formalizados e menos anunciados. O livro A Ordem do Discurso (1970). Enuncia claramente a hipótese primordial de Foucault acerca do Discurso:
“em toda sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada organizada e distribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, e esquivar sua pesada e temível materialidade”
Por tanto para analisar um discurso em toda sua complexidade envolve muitas coisas: dedes técnicas que visam enxergar a sociedade através do discurso, até a técnicas que visam enxergar os modos pelos quais a sociedade se apodera dos discursos.
História serial, trata-se de construir “série” de Fontes e abordá-las. Refere-se a um tipo de fonte e ao ‘modo de tratamento’ das Fontes. abordando Fontes com algum nível de homogeneidade e que se abram para a possibilidade quanto te quântica ou de série alisar as informações no intuito de identificar regularidades. lida também com a serialização de eventos ou dados propondo se os avaliar. Articula se há outros Campos históricos, aplicando se há objetos variados. encontra-se um te mamente relacionada com a chamada história quantitativa uma subdivisão da história que se refere ao critério ‘campo de observação’.
A História Serial refere-se ao uso de um determinado tipo de Fontes e que permitam uma determinada forma de tratamento. já História Quantitativa, é definida através de outro critério: o seu campo de observação, pretendendo observar a realidade que está atravessada pela noção de número da quantidade de valores a serem mediados.
História Regional, estuda diretamente uma região específica, não estando necessariamente associada a um recorte administrativo ou geográfico.
Micro História, procura enxergar tudo aquilo que escapa à maro História, prendendo uma redução na escala de observação do historiador com o intuito de perceber aspectos que de outro modo passarinho despercebido. Quando Micro História estuda uma pequena comunidade, ela não está estudando a pequena comunidade, mas através dela. Embora não seja possível enxergar a sociedade inteiro a partir de um fragmento social, por mais que ele seja cuidadosamente bem escolhido, será possível - Dependendo do problema escolhido - enxergar “algo” da realidade social que envolve o fragmento humano extraído.
ANPUH - GT TEORIA DA HISTÓRIA - Teoria da História e desafios do Tempo Presente
⦁ MARIA DA GLORIA DE OLIVEIRA
Traz questionamentos, destacando o artigo da professora Ana Carolina Pereira, UFBA, onde ela o quanto a teoria da história praticada e ensina no Brasil se encere em uma dinâmica de geopolítica de produção intelectual, a dependência acadêmica, sendo esse um ponto central do pensamento pós-colonial e decolonial. Problematizando o lugar epistêmico, para uma superação da dependência Acadêmica que permanece como desafio.
Os sujeitos não ultrapassam a condição de objeto na historiografia. O paradoxo do reconhecimento, buscar reverter silenciamentos, apagamentos e esquecimentos promovidos pela historiografia. E residem no fato que a mera diversificação empírica dos objetos de análise, não implica necessariamente o uso das subalternidades como ponto de inflexão crítica dos artifícios epistêmicos, que estabelecer e mantem o mesmo como referência universal, regulatória, normativa e excludente dos seus outros múltiplos e particulares. Essas interpelações abertas em torno da descolonização do conhecimento, talvez não possam ser respondidas de modo efetivo como uma abertura meramente inclusiva, mas talvez com uma redistribuição mais simétrica de lugares de enunciação e de acesso de sujeitos outros como protagonistas da opção historiográfica.
A denúncia do eurocentrismo e o problema do universalismo, e um dos pontos de convergência do pensamento pós-colonial, dos estudos subalternos dos feminismos intersecionais, e do giro decolonial. A pretensão de universalidade deve abandonada por completo para se chegar a produção de conhecimento mais autônoma.
para Ernesto Lacrau e Castro Gomes, negar toda a universalidade como objetivo de liberar as particularidades dos excluídos seria um erro político e um mecanismo de despolitização.
Argumento é central do Castro Gomes, é apontar um erro que é dar por perdida não é a luta pela hegemonia política dos valores democráticos e das instituições públicas, em nome de um projeto de descolonização no qual estaria radicalizada a crítica – trans modernidade.
Falta de autonomia teórica – dependência acadêmica que se revela na aceitação que somos simples leitores, consumidores e comentadores da teoria que o norte global produz.
⦁ DURVAL MUNIZ JR.
Traz uma questão, qual é o elemento fundamental do tempo presente? É a presença incontornável da imagem como constituidor de nossas leituras sobre a realidade, interpretações e relações sociais. Falta a historiografia uma reflexão sobre a imagem. Redução de imagem apenas como imagem visual. a escrita, o conceito e a memória são imagem e não há como escrever sem figurar.
O texto do historiador tem que passar por uma relação com o arquivo, o arquivo permite a sua imaginação funcionar, a construção das imagens deve partir do arquivo, ao mesmo tempo que a imaginação e limitada pelo arquivo. Assumir que a escrita da história tem um caráter construtivo de elaboração de figuras.
Não é pelo fato que se ler autores europeus que produzimos um pensamento europeu, isso seria pressupor que escrevemos a partir de nada.
Devemos prestar atenção aos conceitos e imagens que constituem para nós a realidade, os eventos, os próprios personagens, o passado. A memória e imagem e o historiador deve fazer uma crítica da memória, fazendo assim também uma crítica a imagem.
O próprio tempo e figurativo, e os historiadores constroem imagens temporais e lidamos com imagens de temporalidades. Ao escrever, materializamos na escrita imagens de tempo, não apenas imagens do passado.
A historiografia socialmente faz parte da formulação de imaginário, produz subjetividades, sujeitos e para a produção se subjetividades e preciso afetar o sujeito.
O historiador e um primeiro momento se apresenta como “ele” em partes do texto, ao assumir a escrita do texto ele introduz o “nós” a fim de capturar o leitor e passamos a velo de modo figurativo. O historiador faz os personagens dizerem o que ele quer.
Resultado de todo o trabalho do historiador é o texto, ou seja, o conjunto de imagem.
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