Fichamento dos 3 primeiros capítulos do livro "O que é História Cultural?" de Peter Burke

"O que é História Cultural?" de Peter Burke - José Almir

Introdução
 - O terreno comum entre as abordagens da história cultural é a preocupação com o simbólico e suas interpretações
- A tradição francesa evita o termo cultura. Ao invés deste, utiliza, por exemplo, mentalidades.

1. A grande tradição
- De certo modo, a "história cultural" é praticada na Alemanha (quando a nação era mais interpretada como uma comunidade cultural que política) desde os anos 1700 (Embora viesse a ser desprezada por Ranke posteriormente)
- 4 fases: clássica; história social da arte; história da cultura popular; nova história cultural

1.1 História cultural clássica (1800-1950)

1.1.2 Retratos de uma época
- Preocupados com as conexões entre as diferentes artes
- Assim ampliavam e praticavam a hermenêutica (arte da interpretação)
- Maiores do período: Burckhardt e Huizinga (Este achava que o dever do historiador cultural era retratar padrões e características de épocas)

1.1.3 Da sociologia à história da arte
- Contribuição da sociologia: Weber (Dava uma explicação cultural para a mudança econômica) e Elias (Cultura do autocontrole)
- Aby Warburg: atenção a detalhes, aspectos particulares, criando uma obra fragmentada focando em esquemas ou fórmulas culturais (Os gestos que expressam emoções particulares por exemplos)
- Ernst Gombrich: desenvolveu a ideia de esquemas mais completamente
- Panofsky: iconografia x iconologia

1.1.4 A grande diáspora
- Com a ascenção de Hitler, alguns dos citados foram para outros países (Inglaerra, EUA) e gerou na academia "uma consciência mais aguda da relação entre cultura e sociedade"

1.2 Cultura e sociedade
- Antal: cultura como expressão ou reflexo da sociedade
- Hauser: marxista, vincula cultura aos conflitos e mudanças sociais e econômicas

1.3 A descoberta do povo
- Conceito de cultura popular: origem simultânea à da história cultural
- Importância da história social com Thompton: "história vista de baixo"

2. Problemas da história cultural

2.1 Os clássicos revisitados
- Problemas de fontes, métodos e suposições
- Crítica a Burckhardt: confiabilidade relativa (existe na história cultural porque em grande parte suas fontes são "geradas de forma não intencional, desinteressada ou involuntária." Por um lado, essa percepção é incorreta porque obras podem não ser livres de paixão ou propaganda - é preciso considerar se seu propósito era convencer o público de algo.
- Crítica ao "impressionismo" - alternativa: história serial (Análise de uma série cronológica de documentos)
- Problema da leitura subjetiva (selecionar só os dados que se adequam ao pressuposto.). Alternativa: "análise de conteúdo" que não se torna demasiado descritiva e quantitativa caso associada a métodos literários tradicionais. Semelhante argumentação pode ser feita sobre a "análise de discurso".

2.2. Debates marxistas
- Principal crítica à história cultural: falta-lhe contato com qualquer base econômica e social.
- Acusação de superestimar a homogenidade cultural e ignorar os conflitos: seria preciso traçar as diferenças culturais de classes, gêneros e gerações
- "Zona temporais" (Ernst Bloch): diferentes agoras

2.2.1 Problemas da história marxista
- "Ser um historiador marxista da cultura é viver um paradoxo" (p. 37)
- Superestrutura x infraestrutura -> Hegemonia de Gramsci

2.3. Os paradoxos da tradição
- "Trabalhar com a ideia de tradição libera os historiadores da suposição de unidade ou homogeinidade de uma era" (p.39) (Múltiplas tradições podem coexistir em uma sociedade)
- Paradoxo: uma aparente inovação pode mascarar a persistência da tradição
- Outro paradoxo: os signos externos da tradição podem mascarar a inovação.

2.5 O que é cultura?
- Definição de cultura pela antropologia: "As heranças de artefatos, bens, processos técnicos, ideias, hábitos e valores" (Malinowski) "O todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e outros hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade" (Tylor) (p. 43)

3. A vez da antropologia histórica
- História cultural dos anos 60 a 90: virada para a antropologia com o uso do termo cultura em sentido cada vez mais amplo

3.1 A expansão da cultura
- "Nova história cultural": história cultural de todos os temas

3.1.1 Explicações culturais
- Propensão a explicações culturais de fenômenos econômicos ou políticos

3.2 A hora da antropologia histórica
- Estruturalismo de Strauss - oposições binárias
- Geertz: "Cultura é um padrão, historicamente transmitido, de sigificados incorporados em símbolos, um sistema de concepções herdadas, por meio das quais os homens (...) desenvolvem (...) suas atitudes" + Defesa da interpretação dos significados em oposição a análise das funções sociais dos costumes.
- Darnton: vê como tarefa do historiador cultural "capturar a realidade" + analogia do drama/ drama social
- Muitos historiadores sociais admiradores de Marx, desde os anos 60, voltaram-se à antropologia em busca de uma forma alternativa de vincular cultura e sociedade, que não reduzisse a primeira a um reflexo da segunda ou a uma superestrutura
- Com o conceito de cultura dos antropólogos, vincula-se o estúdo dos símbolos à vida cotidiana
- Os historiadores reagiram às mudanças do mundo: anticolonialismo, feminismo, perda de fé no progresso.

3.3. Ao microscópio
- Tópico a respeito de micro-história (anos 70)
- Reação à história social que empregava métodos quantitativos e descrevia tendências gerais (não se importando muito com variedades locais)
- Reação ao encontro com a antropologia, permitindo a ênfase em histórias concretas e individuais
- Reação à história triunfalista e grandiosa que passava por cima de outras culturas e grupos que não participavam de movimentos canônicos
- Isto é, consciência maior daquilo que havia sido deixado de fora ou tornado invisível (Como o tópico seguinte trata ao enfatizar os estudos pós-coloniais e feministas tanto no contexto da micro-história quanto no da história cultural)

Referência 
BURKE. Peter. O que é história cultural? Zahar Ed, 2005.

Comentários

Postagens mais visitadas