Resumos da Unidade I - Discente: Gutemberg Nascimento
Resumo 1:
Um campo disciplinar é constituído em 9 aspectos principais que são discutidos neste texto, sendo o primeiro deles o campo de interesses. O campo de interesses é um evidente local-comum, é formado por objetos, temáticas ou desafios que serão percorridos e enfrentados por seus praticantes. No entanto, temos muitas áreas e campos disciplinares com objetos, temáticas e desafios comuns, por isso o segundo aspecto comentado pelo texto é o da singularidade, ou seja, aquilo que torna único cada campo, no caso da história que compartilha o estudo do homem com diversas disciplinas, o que a diferencia das demais é o estudo do homem no tempo. O terceiro ponto é o campo interdisciplinar, formado por desdobramentos internos ou campos de aplicação diversos, sendo facilmente observado na história, seja em divisões de método (História cultura, Marxista, etc.) ou de tema (História da América, História da África, etc.). Já o quarto, quinto e sexto ponto, respectivamente, teorias, metodologias e práticas discursivas, sendo compreendido que um campo não deve possuir apenas uma orientação de cada um dos pontos, mas sim demonstrar um leque de diversas visões teóricas, metodológicas e de práticas discursivas, e que nas mesmas existam críticas internas além óbvio da adesão e prática. O sétimo ponto, é o inverso da singularidade, ou seja, a interdisciplinaridade, a capacidade de interação com outras disciplinas, especialmente aquelas às quais se compartilham campos de interesse, de forma que ambas se beneficiem e se enriqueçam de tal interação. O oitavo ponto é a zona de interditos, de proibições e limites, aquilo que se delimita como exterior à função do historiador no caso do campo da história, por exemplo. O nono e último ponto trás pra gente aquilo que de fato capacita uma disciplina como real, a rede humana, as pessoas que praticaram e praticam, além de suas realizações, essa comunidade é responsável por mover todos os outros pontos como um motor que potencializa as realizações de um campo disciplinar.
Resumo 2:
Como visto no capítulo anterior, os aspectos teóricos são um dos pontos que formam uma disciplina, e com a história não é diferente. Porém, o que define uma teoria? o que forma uma visão teórica? É o que este capítulo vai tentar responder. A teoria é em primeira instância uma visão de mundo, e pode ser vista como tal em três pontos. O primeiro deles seria como um campo de estudos, um território onde se estudam os métodos e realizações teóricas e práticas de um determinado campo do saber. O segundo ponto tem como definição, um modelo explicativo, utilizado para compreender fenômenos ou objetos, como a famosa teoria da evolução de Charles Darwin, por exemplo. Por fim, em um terceiro nível, podemos compreender a teoria como uma forma de apreender a realidade e o mundo ao seu redor. Através dessas três concepções podemos por fim diferenciar a teoria da intuição, apesar de ambas se demonstrarem como um modo de enxergar o mundo, a teoria o faz através de um processo crítico, enquanto a instituição o faz de forma instantânea. Quando escolhemos um modelo teórico para enxergar nossa realidade, somos submetidos aos devidos mediadores teóricos para o processo de teorização, dentre eles os conceitos, hipóteses, demonstrações, comprovações empíricas, entre outras. São esses métodos que fazem com que, a partir do século XIX a história passe a ser vista como uma produção de fato científica. É importante também diferenciarmos teoria e método, visto que ambos possuem conceitos parecidos, e de fato são utilizados em conjunto muitas vezes. Temos na teoria um modo de ver, já na metodologia um modo de fazer. Ou seja, a teoria abrange: conceitos, campos, correntes, teorias e paradigmas teóricos. Já a metodologia abrange: projetos e planejamento de pesquisa, constituição de fontes, métodos e técnicas e recortes temáticos.
Resumo 3: Compreendendo o conceito de teoria, é inevitável não aproximar a sua relação com a ciência, de certa forma distanciando assim a teoria da história do que seriam filosofias da história ou “teorias da história” como a anamnese grega por exemplo. Dentro dessas teorias da história, é possível observar um enorme desenvolvimento das mesmas durante a transição entre o séc. XVIII e o século XIX, como por exemplo os famosos: Positivismo e Materialismo. E dentro desse contexto, podemos também observar que as teorias da história se aplicam de formas diferentes, algumas se aplicam a eventos muito específicos, enquanto outras buscam uma compreensão de uma série de eventos ou recortes históricos. Inclusive, em um limite máximo, se pode oferecer teorias acerca da própria Teoria da História, isto é, da historiografia. As teorias da história não possuem necessariamente hierarquias ou aspectos cumulativos, ou seja, não é possível afirmar um consenso sobre a superioridade da capacidade de análise de uma teoria sobre a outra, assim como também não necessariamente as teorias constroem-se umas sobre as outras, nem integrando-se, nem a partir de um processo de refutação. Considerando a história analítica e problematizadora da contemporaneidade, as teorias da história como ferramentas para a resolução desses problemas, alinhadas obviamente ao método que será responsável por buscar as fontes necessárias para tais resoluções, são essenciais na formação de todo historiador
Resumo 4
A Teoria da história e seus âmbitos e ambições apresentam diversas dificuldades enquanto construção de campo de estudos, começando pela própria denominação, a qual se difere e confunde entre teoria da história, teoria histórica e até filosofia da história. Essa confusão de termos, e muitas vezes de definições possui uma explicação, é um campo que quase não existe institucionalmente, não é propriamente subcampo de nenhuma disciplina institucionalizada. No entanto, é possível observar um panorama onde pode se construir um campo de estudo acerca da teoria e da filosofia da história, apesar dos desencontros semânticos e da falta da integridade formal, este campo é responsável primeiro por uma discussão comum, isto é, uma abrangente e em andamento produção acadêmica acerca do tema em uma variedade enorme de abordagens, e em segundo, através dessas produções o campo desenvolve um campo de redes e eixos discursivos próprio através de publicações diversas. Quanto ao papel daquele que se assume um teórico da história, o autor explica, primeiro definindo a teoria da história enquanto uma teoria dentro da história, e que não se define como única ou imutável, na verdade o inverso, se apresenta em uma multiplicidade enquanto teorias da história, nessa definição o teórico é aquele que escreve portanto sob a denominação de uma teoria da história. Em outra denominação, sendo a teoria da história uma teoria sobre a história, aquele que se assume teórico portanto é aquele que teoriza sobre todas as práticas históricas que se abrangem dentro de um universo metodológico e historiográfico
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